quarta-feira, 16 de março de 2011


"O passado é lição para refletir, não para repetir."
Mário de Andrade


e quantos cigarros não se fuma na vida e não se pensa nos colhedores das luxuosas folhas de tabaco cubanas,ou controladores dos mercados escravistas,quem prensa, empacota, ou morre pelo vício.

Quantos malabaristas de construções, em tempos de vapor e pressa.
e a vertigem que me dá,só de olhar, e ao mesmo tempo a vontade de cair,e assim saber como um pássaro dos ventos que passaram por tantas frestas de roupas, que desprenderam vidas e as arremessaram pelos ares...
aos que com suas próprias mãos construiram o muro de Berlin, ficaram eternamente presos nos seus 66,5 km de gradeamento metálico, suas torres de observação, suas redes metálicas electrificadas com alarme, suas pistas de corrida para ferozes cães de guarda...

há quem uma vez disse que o efeito catastrófico de um simples suspiro ou bater de asas de uma borboleta equivale ao suposto início da teoria do caos.
mas no fundo o caos se dá pela não valorização do ser como humano, com dor,sentimento,sentido.
e se sabe que o utópico trabalho industrial "repetitivo" mecânico promove o ganho do pão de cada dia,e ainda resulta no esquecimento de ir ao circo, da divisão da tecnologia,da cultura, do novo.
o dinheiro que até hoje roda essa roda da vida. roda,roda da fortuna. do caos.

vale a pena ver e refletir.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nós aqui estamos,por vós esperamos. Parte 2


partes,pernas,primos,pais,padres,pedros,pitores,patrões,plebeus,paulos...
por que partes?
por que?

"em uma guerra não se matam milhares de pessoas.
mata-se alguem que adora espaguete,
outro que é gay,outro que
tem uma namorada.
uma acumulação de pequenas memórias..."
Cristian Boltanski

Nós aqui estamos,por vós esperamos. Parte 2
dirigido por Marcelo Masagão.

sábado, 10 de julho de 2010

Nós aqui estamos,por vós esperamos. Parte 1

Do pouco a humanidade sempre fez muito,
numa busca exagerada pelo novo, pelo belo,pelo explícito,pelo ilícito...

o homem que desde sempre procura os céus
necessita recordar
que da terra viemos,na terra estaremos,
mas por que não voar?!

"pequenas histórias, grandes personagens.
pequenos personagens, grandes histórias."

Nós aqui estamos,por vós esperamos. Parte 1

dirigido por Marcelo Masagão.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

relatos


"Pode-se,ainda que através de um fragmento de pensamento,se iludir com uma vontade infantil de possuir aquele novo amor.

De permanecer todo o tempo ligados,como se fossem um só.


Pensamentos flagelados que nos fazem retorcer dentre as lembranças...dúvidas...e até certezas de que todo o tempo possível ainda será pouco.


De que todo o tempo presente é passado.

Já não tens quem tu amas.Já não tens quem tem te amado.


Encontra-te isolado.

Frio.

Imóvel.

Intocado...


Sentado no chão,unindo aqueles pensamentos fragmentados,que hoje não passam de relatos,daquele teu velho amor."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

biscoitos,cores,sabores.


dias nublados são os meus dias prediletos.


dias úmidos e pesados que nos deixam com um gostinho de vadiagem na boca,dedos preguiçosos,penetrados em um ócio corrosivo ,um ócio reflexivo,um ócio vicioso...uma inatividade que nos impulsiona o desejo de encontrar outros pés frios para compartilhar calor,dedos congelados capazes e dispostos a percorrer a infinita vastidão das nossas linhas,marcas,corpo.


fico penetrada nos meus pensamentos e quando fico entediada, tento descrever os seus...os mais secretos,mais indiscretos...em que busco respostas ingênuas para fatos tolos,na esperança de suas alucinações me mostrarem o verdadeiro motivo de me satisfazer com dias nublados.


São os dias que te vejo passar,discreto (seu guarda-chuva-brega-estampado anos 80 atrai minha atenção) e agora acompanho a chuva.


Te convido para o café,biscoitos,cores,sabores,gostos...


-combien de cuillères de sucre ?

-combien tu vouloir, combien tu pourra.


Devoro tudo o que se tem pela frente para ser descoberto e que ainda permace estático diante de nossos narizes,ao alcance das minhas mãos...
e talvez seja essa a explicação exata da existência desses dias acinzentados...

onde posso contar nos dedos frios os motivos de te querer perto,

posso contas as frias gotas de chuva que caem,ou as vezes que te ajudei levantar.


eu ainda sei como você se sente quando caminha protegido pelas estampas que decoram e colorem o nosso céu nublado.

e sou a que vai sempre saber.